sábado, 30 de outubro de 2010

Campanha - A vida depende do seu voto!




CAMPANHA NACIONAL POR PARLAMENTOS E GOVERNOS EM DEFESA DA VIDA
A VIDA depende do seu VOTO!

O voto fortalece a democracia.
Estamos em ano eleitoral. Mais uma vez a democracia brasileira será fortalecida e consolidada pelo exercício do voto, esse nobre direito da cidadania. Nosso voto é muito valioso, e precisamos estabelecer critérios muito claros na hora de escolher as pessoas que vão nos representar na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e no Executivo. Voto consciente é aquele que leva em conta os princípios e valores dos candidatos, para eleger pessoas que realmente representem nosso modo de pensar.
O mais importante de todos os direitos humanos – o direito à  vida.
Que critérios teremos? Honestidade, compromisso com a ética e com as necessidades do povo, competência administrativa e respeito e valorização da vida.  A prática do aborto é crime em nosso país, mas é feito clandestinamente, e tem ceifado inúmeras vidas indefesas que são assassinadas covardemente no útero de suas mães. A solução não está na legalização, mas em políticas que garantam que:

  1. todas as mulheres que engravidam tenham atendimento de qualidade nos postos de saúde e nos hospitais públicos até o momento do parto;
  2. haja ampla campanha de esclarecimentos quanto à prevenção à gravidez indesejada, respeitando os princípios e as convicções religiosas de cada pessoa;
  3. não se promova ou permita a distribuição  da “pílula do dia seguinte” para os jovens e adolescentes, pela rede pública de saúde, uma vez que este medicamento tem efeito abortivo,. Isto se aplica também ao DIU.
Escolha candidatos comprometidos com a  vida - desde a concepção.
Temos que eleger pessoas comprometidas com a defesa da vida do momento da concepção até a morte natural. Lembre-se: a Vida depende do seu Voto. Vote em quem é contra o aborto e não defende a sua legalização. Se você ainda não tem os seus candidatos ou candidatas pró-vida, clique aqui e verifique na lista o(a)s candidato(a)s do seu Estado e vote nele ou nela, com a consciência de que seu voto contribuirá para a construção de um Brasil  mais justo, mais solidário e mais humano. Um Brasil sem Aborto. Se você conhece um candidato pró-vida que ainda não consta do site, coloque-o em contato conosco.
 Movimento Nacional da Cidadania  pela Vida
Brasil Sem Aborto.
Informações pelo telefone: (61) 3345-0221 - 
E-mail: cidadaniapelavida@gmail.com

Religiosos defendem discurso do papa

JORNAL ATRIBUNA - SANTOS/SP

Ronaldo Abreu Vaio Créditos: Irandy Ribas

D. Jacyr Francisco Braido diz que é preciso haver consciência pessoal .

Causaram furor as declarações do Papa Bento 16, para que os fiéis católicos fossem orientados politicamente, ao mesmo tempo em que condenou o aborto e a eutanásia. As declarações foram feitas a um grupo de bispos brasileiros em visita ao Vaticano, a apenas 72 horas do segundo turno das eleições presidenciais. Especificamente em relação ao aborto, tem sido um tema bastante explorado pelos candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT). 

A Tribuna consultou religiosos da região para saber até que ponto a política é um tema presente em suas paróquias e sobre as declarações do Sumo Pontífice. A maioria deles não considera que o discurso do papa influencie o eleitorado a escolher um ou outro candidato. "Nós orientamos para que haja uma consciência política, não partidária, mas para que votem da melhor maneira possível, dentro da moral cristã", diz e o diácono Marco Antonio Rossi, da Paróquia São Paulo Apóstolo, em Santos. 

Rossi, que é de São João da Boa Vista e está há 3 anos em Santos, considera fundamental a conscientização política. "Vamos eleger pessoas que farão leis para que nós as cumpramos", justifica. Quando acha necessário, faz essa conscientização no final das missas, durante os avisos da paróquia, "não mais de 3 minutos". Abstém-sede abordar política nas homilias," que é o momento da palavra de Deus." 

Contra as leis de Deus 

Antes do primeiro turno das eleições, o padre Cláudio da Conceição, da Paróquia Santa Rosa de Lima, no Guarujá, evocou a Lei da Ficha Limpa para ajudá-lo nesse processo de conscientização política dos fiéis. "Falei para que o voto fosse consciente". Em relação à delicada questão do aborto, Cláudio crê que, indiretamente, a posição da Igreja acaba tendendo para determinado candidato. Para ele, a posição da Igreja é anterior à disputa política atual. "A Igreja sempre se posicionou a favor da vida, não é de agora. Os governantes têm que ver isso. O aborto vai contra as leis de Deus, a Igreja é contra". E conclui: "Padre sempre será padre. Político é só por algum tempo". 

O padre Valdeci João dos Santos, da Paróquia Nossa Senhora da Lapa, em Cubatão, defende a participação política Igreja, a partir de um ponto de vista social, sem partidarismos. "A política como bem-estar. Por exemplo, a Baixada Santista não pode viver o caos da dengue, o caos do trânsito... e aquele menino, pedindo uma moeda no sinal, é meu irmão". 

Consciência pessoal 

O bispo diocesano de Santos, D. Jacyr Francisco Braido, se diz "plenamente sintonizado com as afirmações do Santo Padre", cujo discurso "se situa dentro da concepção cristã da vida, em todos os seus aspectos". Também lembrou aos cristãos "o direito e o dever de usarem do próprio voto com plena liberdade e responsabilidade para a promoção do bem comum e da vida cristã. O voto é responsabilidade direta de cada cidadão diante de sua consciência pessoal, diante da sociedade e diante de Deus".

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Chalita ajudará PT a avançar entre religiosos

  Publicidade DANIELA LIMA DE SÃO PAULO

Eleito deputado federal com a segunda maior votação do Estado, Gabriel Chalita (PSB), ex-secretário de Educação de Geraldo Alckmin (PSDB), tornou-se aliado de primeira hora da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. Ex-tucano, diz que não admira José Serra (PSDB). 

Com 560 mil votos e forte ligação com a ala carismática da Igreja Católica, será uma das armas do PT para avançar entre os religiosos. "Vou me empenhar pessoalmente nisso", afirmou em entrevista à Folha. Confira os principais trechos da conversa. Veja mapa com todos os resultados das eleições Veja a cobertura completa sobre as eleições Acompanhe a Folha Poder no Twitter Conheça nossa página no Facebook O sr. ganhou espaço na campanha de Dilma Rousseff. 

Como é a sua relação com ela? Gabriel Chalita - Eu respeito muito a Dilma e outros nomes do PT. Dei a ela o que pude de sugestões, principalmente na área da educação. Por outro lado, tenho amizades no PSDB. Torci pela vitória do Antonio Anastasia, em Minas, e creio que o Geraldo Alckmin fará grande governo. Política é construir pontes, e eu fiz isso. O sr. não falou de José Serra. Qual a sua opinião sobre ele? O Serra tem qualidades. Mas, pessoalmente, não é um político que eu admire. Como o sr. avalia a polêmica em torno da posição de Dilma Rousseff sobre o aborto? A crítica é boa quando baseada em fatos. Mas essa tentativa de desconstruir pessoas com boatos é muito ruim. Dilma nunca disse ser a favor do aborto. Ela se posicionou, abordando o tema como uma questão de saúde pública. Eu particularmente sou contra. Mas a questão central nesse caso é a boataria. Isso aconteceu com o Lula, em 2002. Diziam que ele ia mudar as cores da bandeira e fechar igrejas. O sr. tem uma relação muito forte com a ala carismática da Igreja Católica. Vai se empenhar para desmentir esses boatos entre os religiosos? Me empenharei pessoalmente nisso. Não é só uma defesa da Dilma, mas da maturidade no debate político. O sr. acha que a Igreja contribui para o debate político? Contribui, mas quando não usa a instituição para influenciar o voto. É importante que a igreja promova o debate, para que os fiéis saibam como pensam os candidatos. Mas o Estado é laico e acho que ele tem que ser laico. Ninguém ouviu o cardeal de São Paulo [dom Odilo Scherer] ou o arcebispo do Rio de Janeiro [dom Orani João Tempesta], declarando votos. Eles foram prudentes. O sr. é candidato a assumir o Ministério da Educação? Sou candidato a fazer a lei de responsabilidade da educação, que é uma lei que estabelece sanções a quem não cumpre metas. O que falta no Brasil é continuidade. Temos bons projetos. Mas o sr. sonha em assumir a pasta? Não. Não penso nisso. E acho que nem ela [Dilma Rousseff] pensa nisso. Seria indelicado começar a pensar no governo sem estar eleita.

Educar Filhos

Imagem de Destaque

A missão de educar os filhos

Com palavras certas, se forma o novo homem

O pai e a mãe são representantes de Deus na vida dos filhos; por isso têm autoridade sobre eles. Então, é vontade do Senhor que estes cumpram muito bem a missão de educá-los para a sociedade e para o céu. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que:

"O papel dos pais na educação dos filhos é tão importante que é quase impossível substituí-los". E que: "O direito e o dever de educação são primordiais e inalienáveis para os pais" (CIC n. 2221; FC 36).

Para isso os genitores devem criar um lar tranquilo para os filhos, no qual a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado sejam cultivados. Nele a abnegação, o reto juízo, o domínio de si devem ser cultivados, para que haja verdadeira liberdade.

Diz o livro do Eclesiástico:

"Aquele que ama o filho castiga-o com frequência; aquele que educa o seu filho terá motivo de satisfação" (Eclo 30, 1-2). Esse "castiga-o com frequência" deve ser entendido como "corrige-o com frequência". E São Paulo lembra que os pais não podem humilhar e magoar os filhos ao corrigi-los: "E vós, pais, não deis a vossos filhos motivo de revolta contra vós, mas criai-os na disciplina e na correção do Senhor" (Ef 6,4).

E é bom lembrar aos genitores que saber reconhecer, diante dos filhos, os próprios defeitos não é humilhação, mas sim, coerência, e isso facilita guiá-los e corrigi-los, como ensina o próprio Catecismo da Igreja Católica (n. 2223).

"Os filhos, diz o Catecismo, por sua vez, contribuem para o crescimento de seus pais em santidade. Todos e cada um se darão generosamente e sem se cansarem o perdão mútuo exigido pelas ofensas, as rixas, as injustiças e os abandonos. Sugere-o a mútua afeição. Exige-o a caridade de Cristo" (CIC n. 2227; Mt 18,21-22).

O apóstolo São Paulo também ensina como a família deve viver para fazer a vontade de Deus:

"Filhos, obedecei a vossos pais segundo o Senhor; porque isso é justo. O primeiro mandamento acompanhado de uma promessa é: 'Honra teu pai e tua mãe, para que sejas feliz e tenhas longa vida sobre a terra' (cf. Dt 5,16). Pais, não exaspereis vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e doutrina do Senhor" (Ef 6,1-2).

Para educar bem os filhos é preciso ter tempo para eles; colocá-los entre as nossas prioridades; gastar o tempo com eles. Sem estar na presença deles é impossível educá-los, por isso é uma atividade que exige observação e atuação. E para educá-los é preciso acolhê-los e acolher seus amigos; não empurrá-los para fora de casa. Acima de tudo é preciso saber conquistá-los, não com o que se dá a eles, mas como se é para eles. Os filhos precisam sentir um santo orgulho dos pais pela sua grandeza, pela sua maneira correta de agir, de falar, de lhes tratar, de se dedicar a eles. Sem isso não é possível educá-los bem.

É preciso corrigir os filhos, mas isso precisar ser feito com jeito, com carinho, com palavras corretas, sem nervosismo, na hora e no lugar certo, e jamais na presença dos irmãos e de outras pessoas porque isso os humilha. E um filho humilhado pelo pai e pela mãe não ouvirá os conselhos destes.

domingo, 5 de setembro de 2010

Gerar novas famílias para Deus

WebTVCN  ver video

Estamos acompanhando a exortação que São Paulo faz a uma comunidade, a comunidade de Corinto. Uma comunidade cheia de dons, mas que foi tomada de partidos. 'Escrevo-vos tudo isto, não com a intenção de vos envergonhar, mas para vos admoestar como meus filhos queridos.'

A Primeira lição que a primeira leitura trás é: pai que é pai corrige, como São Paulo corrigiu. Não para envergonhar os seus, mas para direcionar no caminho certo.

Sem educação dos filhos a geração é um ato imperfeito e incompleto. Os pais são os primeiro e os principais educadores. Família é o lugar onde adquirimos os princípios. A família é, por tanto, a primeira escola de virtude sociais.

O futuro de uma sociedade não pode se realizar sem a participação das famílias. A salvação da pessoa está ligada ao bem estar da familiar.

A responsabilidade de educar o seu filho é sua. Essa responsabilidade não pode ser "terceirizada". É comum pais deixarem que a TV eduquem os filhos, isso não pode acontecer.

Pais, vocês não têm o direito de transferir a educação dos seus filhos para escola, a escola é parceira e não substituta. As vezes deixamos as escola educar os filhos, para trabalharmos, mas esquecemos o prejuízo que é a ausência dos pais na nossa família.

Pais que trabalham e deixam suas esposas em casa, compreenda que suas mulheres trabalham em casa, e trabalham muito, e a educação dos seus filhos não é missão apenas dela. O homem, o pai é insubstituível na vida do seu filho. Então seja pai de verdade.

Gerar um filho na carne sem educar, é um ato incompleto.

A ausência do pai pode levar os filhos para gestos e inclinações femininas. É Preciso que dentro de uma casa tenha um modelo de homem. Ninguém pode fazer o papel do pai, só você pode fazer, uma boa escola não substitui a sua presença.

O melhor método de educação é o exemplo dos pais. Pai e mãe quais os exemplos vocês têm dado para os seus filhos? É necessário que os pais façam antes e depois cobrem dos seus filhos. Não cobrem dos seus filhos o que vocês não têm coragem de fazer.

''De fato, mesmo que tivésseis dez mil educadores na vida em Cristo, não tendes muitos pais. Pois fui eu que, pelo anúncio do Evangelho, vos gerei em Jesus Cristo.''

Nada substitui o pai. É Palavra de Deus que diz. Pode ter 10 mil missionários da Canção Nova evangelizando, de nada adianta se não temos pais presentes.

Pai e mãe preste atenção! Gerar um filho na carne sem educar, é um ato incompleto.

Vovós não ocupem o lugar da mãe nas vidas dos seus netos, cuidado para você não abrir a creche da vovó. Sei que é por amor, mas o seu filho e filha precisa ter responsabilidade nas vidas que colocam no mundo, se não eles continuarão gerando para você educar.

Pais gerem com o coração também. Quantos filhos estão tomando esta atitude de ser pais que geram espiritualmente.

Hoje é preciso restaurar os papéis da nossa família. Há filhos que mandam na sua casa, porque os pais se comportam como filhos. Tem gente que paga escolas caríssimas, mas que por estar ausente deixa o filho ter contato com traficante que vende droga na esquina da escola, e você não vê a alteração do seu filho que está envolvido com droga, porque está trabalhando. Que o Senhor restaure a sua família. Que você, através da oração, ocupe o seu lugar na família. Permita que Jesus, o restaurador, entre em sua casa. O invoque, leve Deus para os seus.

Homilia baseada no Diretório da Pastoral Familiar - CNBB

Orientações aos católicos sobre eleições e censo

São Paulo, 20.08.2010
Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer
      Arcebispo de São Paulo

                                                                                    Estimados Padres da Arquidiocese de São Paulo
Escrevo-lhes sobre a campanha eleitoral, já iniciada, em vista das próximas eleições para os cargos do Poder Executivo (Presidente e Governador) e do Poder Legislativo (Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual).
Todos os cargos pleiteados nestas eleições são importantes; por isso requerem atenção especial de nossa parte. O destino político do Brasil, nos próximos anos, estará na mão daqueles que agora forem eleitos.
O Episcopado do Regional Sul I da CNBB (Estado de São Paulo), em sua assembléia de junho passado, emitiu uma Nota com orientações sobre como “Votar Bem“, que lhes envio em anexo..Aconselho-os a divulgarem estas orientações através dos meios à sua disposição, não deixando de imprimir e de difundir as mesmas nos jornais paroquiais e na internet. Trata-se de uma ocasião importante para a formação da consciência política do nosso povo; os eleitores devem exercer bem o seu poder político, mediante o voto, escolhendo candidatos idôneos e comprometidos com o bem comum, com a justiça social, o respeito à vida, à dignidade da pessoa humana e com as demais causas boas.
Ao mesmo tempo, desejo comunicar-lhes algumas orientações da Arquidiocese de São Paulo com respeito ao envolvimento dos espaços e organizações eclesiais na campanha eleitoral.
1. Fique claro que a Igreja não tem uma opção oficial por partidos ou candidatos. Por isso, também os representantes da Igreja (Clero) não devem envolver-se publicamente na campanha partidária (cf Cân. 287 §2; 572).
2. Nas Missas e outras celebrações (homilias, cursos), não deve ser feita campanha explícita para partidos ou candidatos, quer por clérigos, quer por leigos. O envolvimento político-partidário direto do Padre, ou o uso instrumental, para isso, da celebração litúrgica divide a comunidade.
3. Os espaços eclesiais não devem estar, de forma exclusiva, a serviço de um partido ou candidato. Nos mesmos espaços eclesiais (templos, salões paroquiais) não sejam afixados apelos eleitorais de partido ou candidato.
4. No entanto, não se deixe de orientar os fiéis para que votem de modo consciente e responsável, dando o apoio a candidatos que sejam afinados com as suas próprias convicções e que, se eleitos forem, não promovam causas contrárias aos princípios cristãos na sua atuação parlamentar, ou executiva, sobretudo no que diz respeito à dignidade da pessoa e da vida, desde a sua concepção até à sua morte natural. No entanto, não se indiquem nomes.
5. Para melhor conhecimento dos candidatos e de suas propostas, é útil promover encontros de vários candidatos, para o debate e a exposição das propostas, no salão paroquial ou em outros ambientes. Porém, isso não deve ser feito no templo.
Acrescento uma preocupação relativa ao Censo 2010. A pergunta que se refere à religião (”qual é sua religião?”) pode gerar confusão, perplexidade e distorção dos dados da realidade. De fato, quem responder “sou católico”, ou “minha religião é a católica”, será colocado diante de uma lista de nada menos que 27 opções de “católicos” ou de “religiões católicas” supostamente diferentes. Fica a pergunta sobre os reais motivos dessa formulação da questão, quando boa parte das alternativas (bem 12) dizem respeito à mesma Igreja/religião Católica Apostólica Romana. Nossos católicos poderão ser levados a indicar uma opção equivocada, que não corresponda à sua/nossa Igreja ou religião: Católica Apostólica Romana.
Portanto, recomendo que nossos fiéis católicos sejam oportunamente orientados a responder: “sou católico apostólico romano”, ou “minha religião é a Católica Apostólica Romana”. Sugiro que a questão seja explicada sem demora ao povo nas Missas (avisos) e em outras circunstâncias (jornais, revistas, internet). O Censo já está acontecendo. Em anexo, envio-lhes a lista do IBGE, relativa às opções de “católicos” constantes no Censo 2010.
Estimados padres, as questões acima expostas entram no nosso zelo pastoral, para conduzir, defender e servir, quais bons pastores, o rebanho do Senhor confiado aos nossos cuidados. Deus os abençoe e recompense!
Cardeal Dom Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo

Partidos e candidatos: Qual é sua posição?


A campanha eleitoral vai ganhando corpo e os eleitores são confrontados com os muitos pretendentes ao seu voto. Por enquanto, os “presidenciáveis” são colocados em maior evidência e quase não nos damos conta de que também estão em jogo os cargos de governador, senador, deputado federal e estadual.

Nas questões gerais, todos os gatos parecem pardos. Os candidatos mostram seus planos para a economia, a saúde, a educação, a segurança, o transporte, o meio ambiente… De todos é esperado que tenham ficha limpa, sejam honestos e transparentes no exercício do poder, promovam o bem comum e não apenas o de alguns setores da sociedade. Cabe ao eleitor ouvir, discernir e escolher os cidadãos probos, capazes de governar e legislar com sabedoria e prudência.

Mas deveriam merecer atenção especial os projetos de partido e o rumo que se pretende imprimir ao país. Votamos em candidatos, mas quem dita as regras é o partido. Qual é a ideologia do partido e sua proposta para o exercício do poder? As diferenças entre os partidos e os candidatos aparecem especialmente nas políticas públicas que desejam desenvolver.

Os eleitores querem saber, e têm esse direito, sobre quais serão as políticas sociais para a superação das gritantes desigualdades e o alcance da equidade e da justiça social, como convém a um país que se pretende grande na economia e importante no cenário internacional. Como se posicionam candidatos e partidos sobre os direitos humanos fundamentais? Parece questão pacífica, mas não é, pois nem tudo é claro nos programas de direitos humanos. A questão não pode ser deixada apenas à ação de grupos de pressão, nem ao cálculo de conveniências nas relações internacionais. Por falar nisso, qual será a posição do futuro governo nas questões de política externa? E quem serão os amigos preferenciais do Brasil?

Poucos duvidam da importância da família para a pessoa, a sociedade e a nação. No entanto, a família não é tema de debates políticos. Estudos sociológicos têm demonstrado que a ausência da família, ou a impossibilidade de cumprir a missão que lhe é própria, está na origem de graves males; quando um governo descuida e desprotege a família, deixa uma herança pesada de problemas à sociedade e chama a si muitas responsabilidades que poderiam ser bem melhor assumidas pela família, que tem um papel social insubstituível; por isso ela merece toda a atenção dos governantes e legisladores. Não seria hora de ter no Governo brasileiro um Ministério voltado para as questões da família?

A família precisa de políticas públicas para o acesso à moradia digna, alimentação e educação de qualidade. O trato privilegiado da saúde materna e infantil seria um investimento de elevado retorno social; a adoção poderia ser mais incentivada; a educação sexual não deveria ser desvinculada da formação para atitudes eticamente e socialmente responsáveis, nem dos valores do casamento e da família bem constituída, condições para acolher bem os novos brasileirinhos. Será que é bom para o futuro do país que um percentual elevado de crianças nasça fora de uma família constituída? Que a sustentação e educação do filho fique a cargo de um dos genitores apenas? Os programas de repressão da natalidade levaram o Brasil a uma queda brusca do número de filhos por casal e isso foi celebrado como um avanço importante. Seremos, em breve, uma população de idosos, como já acontece em outros países, e os governos precisarão fazer políticas de incentivo à natalidade…

Questão espinhosa para os candidatos é o pleno respeito à dignidade da pessoa e à sua vida em todos os momentos do existir. Questões como o aborto, a eutanásia, a manipulação de seres humanos nas pesquisas científicas acabam sendo evitadas, ou tratadas de maneira evasiva: “Vamos tratar disso como questão de saúde pública…” “Vamos submeter a um plebiscito…” O direito à vida não pode ser submetido ao arbítrio da maioria. O aborto deveria, sim, ser tratado como questão de saúde pública, mas para melhor proteger a vida dos nascituros contra toda agressão, amparar as gestantes, dando-lhes condições de levar a gravidez até o fim e de dar à luz com dignidade a seus bebês. Gravidez e maternidade não são enfermidades! Mas se, por saúde pública, é sinalizada a facilitação ou a legalização do aborto, não estamos mais diante de uma política de saúde. Inútil abrandar as coisas com conceitos como “despenalização do aborto” ou “antecipação do parto”. A crua realidade não muda e o aborto voluntário é sempre a supressão direta da vida de um ser humano.

Política pública de saúde seria também a aplicação da lei em vigor, fechando as clínicas clandestinas de abortos e penalizando os responsáveis! Seria ainda a oferta de apoio efetivo às gestantes em dificuldades, bem o chamado à responsabilidade do pai biológico e o cumprimento da lei em vigor, no que se refere à proteção e defesa da mãe e do filho ainda por nascer. Com freqüência ouvem-se cálculos, de fato nunca comprovados, de que no Brasil os abortos clandestinos seriam mais de um milhão por ano. Um milhão de seres humanos eliminados antes de nascer! E, com eles, muitas mulheres morrem ou levam problemas para o resto da vida! Isso deveria merecer alguma atenção política!

Os candidatos aos cargos de deputado federal e senador, se eleitos, terão a responsabilidade de fazer leis sobre essas questões. Suas posições e as de seus partidos, sobre o assunto são conhecidas? Os eleitores têm o direito de saber, para votar conscientemente.

Card. Dom Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo
Artigo publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO, dia 14.08.2010